Vou em frente para o indefinido mas,
Ao lançar-me ansioso para o abismo,
Ergo-me no ar,
Gracioso, Colibri,
Falcão, veloz...
Voo assim pelo tempo e espaço efémeros,
Soltando brados de alegria,
Engolindo golfadas do ar rarefeito,
Cerrando os olhos,
Fechando os olhos,
Luz intensa...
E vou mais alto,
E mais longe,
E mais rápido,
E bato as asas freneticamente,
Desejo louco de subir como ninguém,
Foguete que se lança em rasto de luz pela exosfera acima!
Voo, voo
E não penso,
E assim sou feliz.
Mas ser-se-á feliz sem sequer pensar?
E aí, eu que nem sou grego,
Queimo as asas por voar demasiado perto do sol.
"Fugimos do abismo da vida, e fugimos da vida - embora tal seja uma autentica estupidez. Se fugimos da vida, caminhamos para o abismo; se fugimos do abismo, abraçamos o calor frio da vida. E talvez porque somos humanos, voltamos novamente a perder o comboio, e novamente, e novamente - e assim continuamos, e assim caímos, e assim caem connosco. Perdemos quem amamos, perdemos quem odiamos [ódio este que somente demonstra que tais pessoas fazem parte do nosso espelho de vida].
Perdemo-nos - oh, como o comboio já lá vai!" - J. A.
Perdemo-nos - oh, como o comboio já lá vai!" - J. A.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Fim do silêncio.
Espera-se que seja este o fim do silêncio. Depois de muito tempo em que não tive tempo para nada, espero que agora aqui consiga vir com mais frequência. Aqui está o último poema que fiz.
Falávamos,
Em tons quentes como os do céu raiado de laranja.
Falávamos,
E os nossos braços ondulavam pelo ar
Ao sabor do mar revolto de Inverno.
Falávamos,
E o silêncio chegou.
Agarrei-te a mão,
E prendi-me a ela com as últimas forças que tinha.
Disse não,
E beijei-te.
Disse não,
E olhei-te nos olhos.
Olhei-te para o negro do olho,
E desci ao fundo de mim,
Aos pináculos da tempestade.
Caí em baixo, no poço sem fim e,
Quando saí,
Saí de mãos soltas,
Saí uno,
Saí só…
Disseste não e,
Como se um pedal tivesse sido pisado para que,
Depois de o martelo bater na nossa corda,
Ficasse, etéreo e eterno,
O não a pairar no ar.
Falávamos,
Em tons quentes como os do céu raiado de laranja.
Falávamos,
E os nossos braços ondulavam pelo ar
Ao sabor do mar revolto de Inverno.
Falávamos,
E o silêncio chegou.
Agarrei-te a mão,
E prendi-me a ela com as últimas forças que tinha.
Disse não,
E beijei-te.
Disse não,
E olhei-te nos olhos.
Olhei-te para o negro do olho,
E desci ao fundo de mim,
Aos pináculos da tempestade.
Caí em baixo, no poço sem fim e,
Quando saí,
Saí de mãos soltas,
Saí uno,
Saí só…
Disseste não e,
Como se um pedal tivesse sido pisado para que,
Depois de o martelo bater na nossa corda,
Ficasse, etéreo e eterno,
O não a pairar no ar.
domingo, 28 de junho de 2009
Silêncio.
Sei que o blogue tem estado sem posts novos há muito tempo e, por isso, peço desculpa. Peço também a vossa compreensão já que (momento de auto-promoção descarada) publiquei recentemente um livro, com a chancela da Chiado Editora, que dá pelo nome de "Uma Avenida Infinita". Foi o realizar de um sonho antigo e isso consumiu-me imenso tempo; prometo, no entanto, voltar aqui ainda hoje e fazer um novo post e, com sorte, retomar os posts regulares dentro em breve.
Muito obrigado a quem lê e critica o que lê porque esse é o único caminho para alguém melhorar.
Um abraço,
Gonçalo
Muito obrigado a quem lê e critica o que lê porque esse é o único caminho para alguém melhorar.
Um abraço,
Gonçalo
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Frio II
Gela-me os ossos,
o abraço frio do vento agreste.
Não sei como aqui vim parar;
Estou nu na montanha
E o lago gelado à minha frente
Não me dá calor.
Neva.
Neva.
Neva e a alvura da neve
em tudo contrasta com o negro do lago fundo.
O Sol, tímido, reflecte-se na neve e quase me cega no clarão forte...
Atiro-me para o gelado abraço do gelo quebradiço que estilhaça...
O ar, preso nos pulmões de pedra,
não me faz respirar...
E, enquanto a luz vai cessando,
Eu desço, sem ajuda ou revolta,
ao fundo poço de breu...
E quando,
Finalmente,
Com um baque o corpo embater no chão
Já eu terei aberto os olhos
E, por fim,
Visto a verdadeira e clara
Luz da eternidade inexistente...
o abraço frio do vento agreste.
Não sei como aqui vim parar;
Estou nu na montanha
E o lago gelado à minha frente
Não me dá calor.
Neva.
Neva.
Neva e a alvura da neve
em tudo contrasta com o negro do lago fundo.
O Sol, tímido, reflecte-se na neve e quase me cega no clarão forte...
Atiro-me para o gelado abraço do gelo quebradiço que estilhaça...
O ar, preso nos pulmões de pedra,
não me faz respirar...
E, enquanto a luz vai cessando,
Eu desço, sem ajuda ou revolta,
ao fundo poço de breu...
E quando,
Finalmente,
Com um baque o corpo embater no chão
Já eu terei aberto os olhos
E, por fim,
Visto a verdadeira e clara
Luz da eternidade inexistente...
terça-feira, 31 de março de 2009
(Sem Título?)
Mais uma vez na plataforma,
Espero e enterro os olhos no preto ponteiro dos minutos…
Mais uma vez perdi o comboio,
Mais uma vez perdi a boleia e o ponteiro ri-se de mim,
Assim como o revisor,
E assim como todas as pessoas que se acotovelam já para o próximo comboio…
Mais uma vez perdi a ligação vital,
A ligação que apartava o cinzento dos dias de arranha-céus
Do multicolor dos campos…
Mais uma vez fiquei para trás
(ou me deixei ficar para trás, não sei bem)
Mais uma vez me perdi no tempo…
Falhei no tentar adiar a partida da composição
Mas nem todos os meus esforços foram suficientes para impedir o determinismo do universo
E então enterro, novamente, os olhos no ponteiro dos minutos…
Tempo e entropia,
Duas coisas
(sim, porque são coisas, signos, como qualquer coisa inventada pelo Homem)
Demasiadamente próximos nesta minha plataforma…
Sim, entropia,
Como energia perco o tempo que se degrada
E o não consigo recuperar…
Mas se o recuperasse talvez tivesse conseguido apanhar o comboio…
Oh Deus, Deus,
Dá-me este singelo poder!
Porque há-de ser a entropia dado adquirido na nossa vida?
Mas será entropia de facto, se o universo tal como o conheço já foi [escrito e descrito daqui ao limite de tendência ao infinito?
Não creio que seja, ou não se me assemelha tal coisa, mas à falta de melhor palavra…
Ó Deus Físico, explica-mo, por favor…
Ensina-me e elucida-me
E assim, quiçá,
Da próxima vez apanharei o comboio nesta plataforma de vida…
Espero e enterro os olhos no preto ponteiro dos minutos…
Mais uma vez perdi o comboio,
Mais uma vez perdi a boleia e o ponteiro ri-se de mim,
Assim como o revisor,
E assim como todas as pessoas que se acotovelam já para o próximo comboio…
Mais uma vez perdi a ligação vital,
A ligação que apartava o cinzento dos dias de arranha-céus
Do multicolor dos campos…
Mais uma vez fiquei para trás
(ou me deixei ficar para trás, não sei bem)
Mais uma vez me perdi no tempo…
Falhei no tentar adiar a partida da composição
Mas nem todos os meus esforços foram suficientes para impedir o determinismo do universo
E então enterro, novamente, os olhos no ponteiro dos minutos…
Tempo e entropia,
Duas coisas
(sim, porque são coisas, signos, como qualquer coisa inventada pelo Homem)
Demasiadamente próximos nesta minha plataforma…
Sim, entropia,
Como energia perco o tempo que se degrada
E o não consigo recuperar…
Mas se o recuperasse talvez tivesse conseguido apanhar o comboio…
Oh Deus, Deus,
Dá-me este singelo poder!
Porque há-de ser a entropia dado adquirido na nossa vida?
Mas será entropia de facto, se o universo tal como o conheço já foi [escrito e descrito daqui ao limite de tendência ao infinito?
Não creio que seja, ou não se me assemelha tal coisa, mas à falta de melhor palavra…
Ó Deus Físico, explica-mo, por favor…
Ensina-me e elucida-me
E assim, quiçá,
Da próxima vez apanharei o comboio nesta plataforma de vida…
domingo, 15 de março de 2009
Já agora...III
Falta.
Esta noite eu preciso,
Oh meu Deus, preciso...
Preciso de saudar alguém,
De bater continência,
Preciso de correr,
E saltar,
Por cima da lua,
Por cima dos céus,
De cair no mar
E me afogar,
Mesmo para não me encontrar,
De idolatrar falsos deuses
E sonhar...
Oh, preciso, preciso, preciso...
Esta noite preciso de dizer um amo-te que não seja para a parede,
Preciso de alguém que responda
E preciso,
Oh, preciso,
Que não seja banal nem vazio,
Que tenha emoção,
Que destrone a razão...
Oh, amor sem sentido,
Onde andas nesta noite fria?
Esta noite eu preciso,
Oh meu Deus, preciso...
Preciso de saudar alguém,
De bater continência,
Preciso de correr,
E saltar,
Por cima da lua,
Por cima dos céus,
De cair no mar
E me afogar,
Mesmo para não me encontrar,
De idolatrar falsos deuses
E sonhar...
Oh, preciso, preciso, preciso...
Esta noite preciso de dizer um amo-te que não seja para a parede,
Preciso de alguém que responda
E preciso,
Oh, preciso,
Que não seja banal nem vazio,
Que tenha emoção,
Que destrone a razão...
Oh, amor sem sentido,
Onde andas nesta noite fria?
segunda-feira, 9 de março de 2009
Amo-te.
E não será apenas essa a questão?
Apenas,
Mais,
Mero assunto irrelevante na mesa de Deus?
E toda esta gente,
Formigas,
Marionetas,
Tambem acabarão sozinhos
(E ressentidos)
As suas vidas?
Ou serei só eu,
Que fiquei no canto,
Quando me atacaram?
(Oh, quantas e quantas vezes me esmurrei
E me quebrei,
Sem esperar por outros para me bater?)
Oh, não foras tu,
Noite que me engoles
E comes
E cospes,
Não foras tu o álcool que me permite sorrir...
Não...
Não voltes mais com falas mansas...
Não,
Por favor...
Tortura, mais, não..
(Bebo mais um gole,
Deslizo canto abaixo,
Ou a dentro,
E apago-me indefinidamente,
Vodka, minha companheira,
Amo-te.)
Apenas,
Mais,
Mero assunto irrelevante na mesa de Deus?
E toda esta gente,
Formigas,
Marionetas,
Tambem acabarão sozinhos
(E ressentidos)
As suas vidas?
Ou serei só eu,
Que fiquei no canto,
Quando me atacaram?
(Oh, quantas e quantas vezes me esmurrei
E me quebrei,
Sem esperar por outros para me bater?)
Oh, não foras tu,
Noite que me engoles
E comes
E cospes,
Não foras tu o álcool que me permite sorrir...
Não...
Não voltes mais com falas mansas...
Não,
Por favor...
Tortura, mais, não..
(Bebo mais um gole,
Deslizo canto abaixo,
Ou a dentro,
E apago-me indefinidamente,
Vodka, minha companheira,
Amo-te.)
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